Entrevista Fabio

Formado em Comunicações e Artes pela FAAP – Fundação Armando Alvares Penteado, em São Paulo. Para teatro, desenhou os Figurinos para Master Class, Uma relação tão delicada, Joana D’Arc, Loba de Ray Ban, Paraíso Perdido, Evangelho Segundo Jesus Cristo, Memórias Póstumas de Brás Cubas, O Libertino entre outras. Desenvolveu figurinos para óperas sob direção de Jose Possi Neto: Bodas de Figaro, Romeu e Julieta, O Guarani, Falsta; sob a direção de Willian Pereira: O Pescador de Pérolas, Olga, A Tempestade; de Fernado Portari: Rigoletto e de Jorge Takla: Madame Buterfly e A Viúva Alegre. Também para musicais sob direção de Jorge Takla: My Fair Lady, West Side Story, O Rei e Eu, Evita; de Jose Possi Neto: Emoções Baratas, Cabaret; Crazy for you. Para Dança: Cubo de Susana Yamauchi, Vem Dançar e Baobá para a Cia Cisne Negro, Samba para Cia Studio 3, e Tudo se torna um para a Cia de Dança da Fundação Salgado Filho de BH. Recebeu os prêmios APETESP, APCA, SESC de Teatro SP, Prêmio Shell de Teatro, Prêmio Cultura Inglesa de Teatro, Prêmio Carlos Gomes de Ópera, Festival de Cinema de Paulinia, SESC Belo Horizonte.

P:Como você começou?

R: Sou formado em artes plásticas e comunicação social e, apesar de não ter formação específica na área do teatro, cinema e nem ópera, trabalhar como figurinista sempre foi uma grande paixão. Eu sempre fui um grande apreciador de teatro e ópera, então eu sempre quis trabalhar em algum departamento da arte cênica, mesmo sem saber qual. Logo que me formei em comunicação e artes, fui trabalhar em uma estamparia e acabei gostando de trabalhar com tecido. Depois disso, fui convidado para fazer alguns comerciais de televisão e um diretor de arte me perguntou o por que eu ainda não havia trabalhado com teatro. Quando finalmente fui para o teatro, tive a sorte de trabalhar com os melhores diretores de São Paulo e Rio, até que um deles me falou para arriscar na ópera, já que eu trabalho com proporção, estudo da forma e de época. Após isso, tive sorte de ser chamado por um excelente diretor em São Paulo que me introduziu no mundo da ópera. Já se passaram quase 30 anos e eu venho trabalhando bastante, venho de ópera em ópera, graças a deus. Já fiz as grandes em São Paulo e no Rio, não só na área do figurino, mas também no cenário, maquiagem e várias outras coisas. Além de ópera e teatro, eu tenho trabalhado em grandes musicais.

O centenário Theatro da Paz ficou lotado nesta quarta-feira, 13, para a estreia de “Don Giovanni”, no XVI Festival de Ópera do Theatro da Paz, que também apresentará récitas nos dias 15, 17 e 19.  FOTO: CARLOS SODRÉ / AG. PARÁ DATA: 13.09.2017 BELÉM - PARÁ

P: Do ponto de vista de moda, como você faz os figurinos?

R: A moda é fundamental sempre, entender os movimentos da moda de 1700, 1600, é entender o que cada período manifesta. Se vestir é uma forma de expressão e, através da moda, você tem como entender cada período, cada época, os movimentos sociais. Faz você entender o que estava acontecendo com a mulher, com o homem, a repressão, a liberação, a mini saia, saias longas, a armação. Eu acho muito importante esse estudo porque se você vai fazer algum espetáculo de época, tem que retratar o período da forma que ele era. Tem que estudar como a mulher se vestia, se tinha determinada silhueta porque ela tinha que cumprir algum papel social naquele momento da história, etc.

O centenário Theatro da Paz ficou lotado nesta quarta-feira, 13, para a estreia de “Don Giovanni”, no XVI Festival de Ópera do Theatro da Paz, que também apresentará récitas nos dias 15, 17 e 19.  FOTO: CARLOS SODRÉ / AG. PARÁ DATA: 13.09.2017 BELÉM - PARÁ

P: Como foi a concepção para “Don Giovanni”?

R: Essa montagem é mais livre, o Mauro buscou uma coisa quase que atemporal, sem localizar em uma época muito precisa. Ele quis que tivesse uma forma feminina de um outro tempo que não fosse o contemporâneo, algo que lembrasse um pouco esse período, mas não rigorosamente detalhado. Então ele quis uma inovação, uma releitura mais moderna. A partir disso, busquei materiais diferenciados, não quis usar muitos tecidos convencionais, então utilizei um pouco de plastico, nylon, coisas que dão um outro tipo de volume, outro tipo de brilho para poder fazer uma ponte entre o moderno o antigo. A moda faz muito esse movimento de releitura de outros períodos. Eu que aguçar o meu olhar nesse sentido, através de um ponto de vista diferente. Nessa criação, procurei fazer, por exemplo, o figurino de uma mulher sexy, de uma forma que seria sexy naquele período histórico, o figurino do homem libidinoso que também representasse o homem libidinoso da época. O Mauro sempre tem a delicadeza de fazer o trabalho com esse entendimento.

O centenário Theatro da Paz ficou lotado nesta quarta-feira, 13, para a estreia de “Don Giovanni”, no XVI Festival de Ópera do Theatro da Paz, que também apresentará récitas nos dias 15, 17 e 19.  FOTO: CARLOS SODRÉ / AG. PARÁ DATA: 13.09.2017 BELÉM - PARÁ

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P: Para você, qual a importância de participar desse Festival?

R: Eu acho que aqui é um festival bastante importante por fazer obras muito interessantes e que não se montam com frequência, além de fazer os clássicos. O cuidado e acabamento que se tem aqui é impressionante, não visto em outro lugar do Brasil. O público que vem assistir tem um conhecimento que não é só para a ópera, olha a cidade, olha como as coisas se mantém aqui, como que se recriam, o próprio Theatro da Paz que é tão requintado. O paraense tem uma outra concepção sobre o que é arte, enquanto no resto do Brasil as coisas se destroem, aqui se mantém, se cultiva e se renova. Ser convidado para fazer esse trabalho aqui é muito gratificante e também profissionalmente importante.

FOTO: CARLOS SODRÉ / AG. PARÁ